A conta do campo deixou de fechar. Na cana-de-açúcar, o custo operacional médio no Centro-Sul alcançou R$ 175,5 por tonelada na safra 2025/26, enquanto o preço de referência do ATR projetado para 2026/27 caiu para cerca de R$ 1,02/kg — abaixo do custo de produção. Some-se a isso a alta histórica dos fertilizantes e a queda do preço da tonelada ao longo dos anos, e tem-se o cenário clássico que autoriza o produtor a buscar o alongamento da dívida rural.
1. O que é (e por que é um direito)
O alongamento — ou prorrogação — está previsto na seção 2.6.4 do Manual de Crédito Rural (MCR) do Banco Central. Ele permite renegociar prazos quando o produtor comprova incapacidade temporária de pagar por motivos alheios à sua vontade, como frustração de safra, intempéries ou colapso de preços.
A garantia mais forte vem da Súmula 298 do STJ: o alongamento da dívida rural não é faculdade do banco, mas direito do devedor nos termos da lei. Preenchidos os requisitos, a instituição é obrigada a renegociar.
2. O que o produtor precisa comprovar
O direito não é automático — exige prova técnica. A mera alegação de dificuldade financeira não basta. É preciso instruir o pedido com:
• Prova do nexo causal entre o evento e a inadimplência;
• Demonstrativo financeiro da incapacidade de pagamento no fluxo de caixa.
3. A janela legislativa de 2026
O Senado aprovou projeto que cria linha especial de renegociação, com alongamento de até dez anos, juros de 3,5% a 7,5% ao ano conforme o porte do produtor, e recálculo do débito sem multas de inadimplência. A medida abrange créditos rurais e CPRs contratados até 31/12/2025, para quem comprovar perdas por intempéries entre 2019 e 2025. Vale acompanhar a sanção para orientar cada caso sobre o melhor enquadramento.
4. O caminho prático
O fluxo abaixo resume a decisão central: o que fazer quando o banco aceita o pedido administrativo e o que fazer quando o banco nega.